Na próxima época que classificação conseguirá o FC Paços Gaiolo?

sábado, 11 de abril de 2009

À conversa com Professor Vítor Frade - Faculdade Desporto Universidade do Porto

Mexer ou não mexer, eis a questão!
Nuno Amieiro (NA): Professor, até que ponto faz sentido pensar-se em alterar a «configuração física» a um jogador para que este venha a ser algo mais do que aquilo que é? Isto é, no sentido de, por exemplo, o «engrossar» para ser mais resistente ao choque ou para ir ao encontro de um qualquer estereótipo corporal de defesa, médio ou avançado?
Vítor Frade (VF): Antes de mais, é necessário reflectir sobre a designação que está a utilizar, a expressão «configuração física». Por exemplo, diz-se muitas vezes o seguinte: “Aquele jogador não vai jogar porque tem um problema físico”. Será que quem diz isto está a querer dizer que lhe falta resistência ou qualquer outra coisa relacionada com o físico? Não. Por isso, para mim, o que o jogador tem é um problema clínico. É preciso algum cuidado com a terminologia para que o entendimento das coisas seja um determinado. Em relação à sua pergunta, parece-me mais ajustado falar em morfotipo do jogador e, no meu entender, pensar-se em o alterar é uma asneira de todo o tamanho. As exigências que regularmente o indivíduo vai enfrentando vão tornando-o mais resistente e mais capaz e não devemos querer ir mais longe do que isso, pois na tentativa de ganhar determinadas coisas, iremos perder uma série de outras coisas.Não me custa nada reconhecer que, para certas posições e funções, o morfotipo e a estatura são relevantes, em termos de média. Mas, por exemplo, no caso do ponta-de-lança até menos do que no caso do defesa central. E mesmo aí todos nós conhecemos defesas centrais de top que são relativamente baixos, onde aquilo que os identifica como característico tem normalmente pouco a ver com o lado externo do morfotipo, aquilo que designou por «configuração física», e muito mais com a articulação e os timings de utilização de uma série de outras coisas. Veja, por exemplo, o caso do Liedson... Ele é «felino» e para ser «felino» e eficaz, tem de ser inteligente, tem de ser capaz de decifrar, de se antecipar... Mas vou-lhe dar outro exemplo. O Pepe tem uma entrevista recente, num jornal espanhol, onde diz que presentemente também está a fazer musculação para o trem superior, para o tronco, porque, refere-o ele, joga-se muito disputadamente, os pontas-de-lança são grandalhões, o tipo de jogo proporciona muitas disputas e, nesse sentido, ele sente a necessidade de ser espadaúdo para poder enfrentar essas circunstâncias. Mas também diz que se sente à nora quando lhe aparece um ponta-de-lança pequenino...
NA: O professor está a querer dizer que ele pode vir a perder algo do Pepe que conhecíamos?
VF: Ele já está a dizer que está a perder!!!... Porque, quando ele não era espadaúdo ou não ia para o ginásio com esse fim, ele foi capaz de ser vendido por 30 milhões de euros e penso nunca o ter ouvido afirmar que os jogadores pequeninos lhe davam problemas... Não sei... Mas, ao que parece, ele agora está a senti-las. Porque, e isto é que é importante que se perceba, a acentuação de qualquer uma que seja considerada como variável tem repercussões no peso que as outras tinham no padrão de relação que existia. E, pelo menos ao nível da formação, esta lógica de pensamento é um absurdo, embora eu também esteja em desacordo com ela no que se refere ao rendimento superior... Era admitir que seria vantajoso «engrossar» o Liedson... O Liedson nunca mais seria o Liedson! E, provavelmente, aquilo que o fez ser Liedson foi o facto de ele não ter esse arcaboiço.Eu conheci o Anderson e, para mim, ele era potencialmente um dos melhores jogadores do mundo como médio interior. Eu estava convencido de que, a continuar na mesma posição e nas mesmas funções, ele seria do melhor. Precisamente na posição onde hoje é mais difícil de encontrar jogadores daquele tipo. Foi para o Manchester e passou a jogar mais atrás... Disseram logo que tinha de ganhar não sei o quê... E dizem agora que ganhou isto e aquilo... Ganhou o quê? A maioria das vezes eu nem o vejo a jogar. E o que perdeu sei eu muito bem. Dizem que ganhou capacidade defensiva, que está outro jogador e mais não sei o quê. Pois está! Está outro, sem aquilo que tinha e que, do meu ponto de vista, é o mais difícil de ter: capacidade de desequilibar no último terço, capacidade de deixar pronto no último terço, etc, etc... Ora, tudo isto tem origem em dois pontos de conhecimento: o conhecimento de jogo que se tem, ou melhor, que não se tem; e o conhecimento retrógrado, miúpe e mecânico que se tem do que é o Indivíduo. É necessário saber um pouco das duas coisas...
NA: Deixe-me pegar agora no exemplo do Cristiano Ronaldo... A generalidade das pessoas está claramente convencida de que o que ele é hoje enquanto jogador se deve em grande parte ao trabalho de ginásio que desenvolveu e provavelmente continua a desenvolver...
VF: Isso rebate-se com facilidade. O Cristiano tem um morfotipo e joga numa posição que pode permitir que o lado atlético seja um acrescento. Mas eu penso que a juventude dele e o facto de estar a jogar em Inglaterra ainda não o fez dar-se conta do desperdício que é o não uso tão regular da capacidade de drible, de simulação e de engano que ele tinha. E o jogo assente neste padrão atlético em que ele se está a viciar e do qual beneficiam os abdominais e o porte que ele tem, tirou-lhe algo que ele também tinha potencialmente, que era aquele poder de «ginga», que é mais o registo, por exemplo, do Messi. E eu pergunto, alguém no seu perfeito juízo é capaz de dizer que o Cristiano Ronaldo é melhor do que o Messi? Na melhor das hipóteses dirão que um é tão bom quanto o outro. E o Messi é exactamente o oposto em termos de morfotipo: é pequeno, enfezado,... E é doente, pois tem problemas metabólicos.Acho que o que é fundamental é que o jogador tenha a capacidade de resistir e de ter força... Mas é importante que se perceba o que eu quero dizer com isto, pois não tem nada a ver com o entendimento comum... Repare na conversa que há pouco estávamos a ter sobre o Fábio Coentrão. O Coentrão, sendo um indivíduo débil, frágil, numa disputa de bola contra dois jogadores matulões do FC Porto, o Cissokho e o Rolando, conseguiu, com uma «ginga», sentar os dois e ir embora com a bola... Isto, para mim, é que é ter força. Ter capacidade de arrancar, travar, voltar a arrancar mas pelo lado contrário...
NA: O Fábio Coentrão é claramente o tipo de jogador que, normalmente, sente na pele este modo mutilador de pensar... «Ele é bom jogador, mas falta-lhe...»...
VF: Porque a lógica que está implantada é a lógica da burrice. A cada passo vemos e ouvimos apregoar uma série de slogans que vão ao encontro desse tipo de raciocínio. Até na escolha dos miúdos ao nível da formação se ouve, sistematicamente, coisas como «Eh pá, é habilidoso, mas é pequenino». É um absurdo. Por exemplo, o Liedson, não sendo um fora-de-série, ao nosso nível é um jogador fantástico e é pequenino, como o era o Romário e uma série de outros bons jogadores.Mas o ridículo desta questão é fácil de constatar. Se nós formos perguntar aos indivíduos que fazem a apologia do físico, da altura, do corpo «engrossado» qual é o melhor jogador do Benfica, quase todos eles respondem que é o Aimar. Se perguntarmos em relação ao Sporting, quase todos eles dizem que é o Liedson e o João Moutinho. Se perguntarmos em relação ao FC Porto, quase todos eles referem o Lucho, que por acaso é alto, mas não é de cabeça que ele sobressai e é adelgaçado. Se perguntarmos em relação ao Barcelona, quase todos eles apontam o Messi, o Xavi e o Iniesta... Da mesma maneira que quando perguntaram a um ex-director técnico nacional do atletismo o que ele pensava do Usain Bolt, o campeão olímplico dos 100 metros, ele respondeu que era «um diamante em bruto». Um indivíduo que acaba de bater todos os recordes é «em bruto»? Está implícito na resposta dele que, quando o Usain Bolt fizer musculação e uma série de outras coisas, vai voar como os crocodilos... Mas, espere lá, os crocodilos não precisam de voar para serem crocodilos!... O que se deveria fazer era parar e pensar que a seguir ao Carl Lewis, todo o morfotipo que surgiu era de indivíduos estilo Caterpillar e que, agora, aparece este atleta com um morfotipo longilíneo a bater todos os recordes. Mas é o próprio Usain Bolt quem diz que não faz musculação, que treina na relva e que as únicas cargas que utiliza é ao fazer competições de 60 metros com um colega a puxar um pneu. E diz que dança muito por ser da terra do reggae!Quem souber um bocadinho sobre aprendizagem motora, sobre coordenação motora, sobre timing de manifestação muscular e de coordenação muscular, etc, acaba por se afastar dessa forma de pensar que é mutiladora. Mas até aqui na faculdade há professores que dizem que o músculo é cego. Cegos são eles, porque o músculo é, manifestamente, muito mais, um orgão sensitivo do que um orgão gerador de potência. E, se calhar, ao mesmo tempo que dizem que o músculo é cego, defendem que é importante a proprioceptividade. Ou seja, não sabem o que estão a dizer. Porque a proprioceptividade é precisamente o que faz do músculo fundamentalmente um órgão sensitivo. Portanto, uma série de mecanoreceptores que se alteram para captarem, digamos assim, a evolução do corpo no tempo e no espaço. Ora, o futebol de qualidade, para qualquer posição, apresenta uma diversidade de agilidade e mobilidade que... Eu costumo dizer que a ignorância é atrevida p’ra caraças...
NA: Um dos argumentos de que eu me costumo servir para tentar evidenciar o quanto pode ser prejudicial querer «transformar» um jogador tem a ver com algo para o qual o professor alerta frequentemente... Eu, enquanto elemento da minha espécie ainda não estou totalmemente adaptado ao bipedismo e, portanto, muito menos preparado para jogar futebol. Ou seja, eu tenho uma história, para o caso «motora», que, em parte, partilho com a minha espécie e que, em parte, é pessoal, fruto das minhas vivências. Se pensar em ir «engrossar» ou tentar ganhar algo que, em termos corporais, não tenho, vou estar a interferir com essa história, que é património meu. Com isso, provavelmente, vou estar a hipotecar muito desse «património coordenativo» que o envolvimento a que estive sujeito durante anos me levou a adquirir «contra-natura» hominídea!
VF: Eu já não quis ir por aí, porque esse caminho levar-nos-ia a 3 ou 4 horas de conversa... Mas, repare, é também preciso perceber que à volta de tudo isto há um jogo de interesses muito grande. Por exemplo, qual é uma das indústrias mais ricas do mundo? É a indústria do armamento. E alguém fabrica o que quer que seja para não vender? Com certeza que se têm de criar condições para que as coisas se usem... E depois, no caso do futebol, a publicidade também assume um papel muito importante, pois vem dizer que uma série de coisas são indispensáveis, que é necessário fazer isto e aquilo para que se marque dois golos com um pontapé só, e servem-se de alguns exemplos que facilmente caem no absolutismo pela falta de conhecimento que as pessoas têm acerca do jogo e acerca do Indivíduo.
NA: Para acabar, uma pergunta muito directa: porque é que o facto de eu ir fazer musculação vai alterar aquela que é a minha história de relação com o corpo?
VF: De um modo muito simples, porque altera a relação do corpo com o corpo, ou seja,... Há dois tipos de timing. O timing coordenativo dos músculos entre si, que é a co-contractividade, portanto, vão existir cadeias que passam a degladiar-se, que se passam a estorvar umas às outras. Porque é uma coordenação que se coloca contrária à fluidez que sugere e solicita a espontaneidade do jogo de futebol. Para além disso, há outro tipo de timing, que tem a ver com o ajustamento muscular à alteração sistemática regular que o envolvimento coloca. Ao fazer musculação vai estar a bulir com isso, vai estar a enganar o sistema nervoso. Portanto, vai obstruir o leque de possibilidades de manifestação que o corpo tinha a jogar futebol. E se o fizer quando em desenvolvimento vai inclusivamente bloquear o crescimento, por exemplo, dos ossos e de outras estruturas. Vai hipertrofiar uma zona que é muscular quando nós sabemos que os tendões não se desenvolvem da mesma forma... Porque não é natural! É como aqueles indivíduos que tinham uns carrinhos pequeninos e lhes rebaixavam a colaça, colocavam umas jantes largas, uma suspensão mais dura, etc, para se armarem em corredores... Só que depois partiam os carros por outro lado...



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Estratégias para melhorar a relação TREINADOR-ATLETA


Torna-se fundamental que o treinador seja um prático reflexivo, isto é, proceda de uma forma regular à autoavaliação dos seus próprios comportamentos. De acordo com esta perspectiva, Smol e Smith (1984, citados por Serpa, 1996) sugeriram algumas linhas de orientação práticas para os comportamentos dos treinadores:

I – REACÇÃO FACE AOS COMPORTAMENTOS DOS ATLETAS
a) Boa jogada (ou prova)
FAZER – feedback de reforço, valorizar tanto o esforço como o resultado, olhando para os aspectos positivos daquilo que fazem.
NÃO FAZER – partir do princípio que o esforço dos atletas é uma obrigação.
b) Erros (falhas variadas)
FAZER – feedback de encorajamento e instruções para corrigir o que esteve mal. Falar em coisas boas que podem acontecer se cumprirem as indicações.
NÃO FAZER – castigar, a punição pode ocorrer de várias formas (substituição, expressão facial e/ou gestos).
c) Comportamentos inadequados (faltas de concentração)
FAZER – explicar que num jogo todos os atletas fazem parte da equipa (mesmo os que estão no banco), reforçar positivamente a participação na equipa.
NÃO FAZER – ameaçar os atletas, recorrer a castigos físicos (flexões, abdominais).

II – DEIXAR QUE AS COISAS POSITIVAS ACONTEÇAM
FAZER – desempenhar o papel de professor, considerando a participação desportiva como uma experiência de aprendizagem. Intervir sempre de forma positiva e clara, exemplificando como se faz.
FAZER – encorajar de uma forma selectiva em vez de pedir e/ou exigir resultados.
FAZER – concentrar-se no jogo (ou prova), estar na competição com os atletas, sendo o principal exemplo para a coesão da equipa.
NÃO FAZER – ironizar ou gozar através das instruções. Não irritar os atletas.

domingo, 9 de novembro de 2008

MJA - Modelo Jogo Adoptado

O primeiro passo de um treinador: Definição do Modelo de Jogo. O que é o modelo de jogo? Creio que, ao nosso nível, o Modelo de Jogo deve ser elaborado por um conjunto vasto de pessoas, sendo de primordial importância que todos os técnicos do clube sejam ouvidos e tenham poder de intervenção. Mas a estes, deveremos juntar todos os outros intervenientes do clube, a quem possamos reconhecer capacidade de intervir até porque cada clube tem características muito próprias, resultado da sua história, das suas condições estruturais, das suas ambições, da sua estabilidade financeira e directiva (ou falta dela …).
O que se deve incluir no modelo de jogo?Sendo o modelo de jogo o conjunto de princípios que conferem organização e são fundamentais para darem sentido à nossa equipa, devemos especificar esses princípios:1) A ideia dos intervenientes (treinadores e outros como já foi referido na resposta à 2ª questão: quem define o modelo de jogo?);2) Princípios e sub-princípios de jogo que conduzam à organização funcional da equipa;3) Características dos jogadores;4) Organização estrutural.
1) A ideia dos intervenientes:Será necessário aqui definir as linhas gerais do modelo de jogo. Que tipo de jogadores? Que objectivos de equipa? Que ambições? Que condições físicas e estruturais possuímos? Que tipo de futebol praticar (impositivo ou de contenção)? Que atitude competitiva dos atletas? Que tipo de organização colectiva?
2) Princípios e sub-princípios de jogo:Neste capítulo, é essencial definir o que cada jogador e a equipa têm de efectuar nos momentos de jogo: organização ofensiva; organização defensiva; transição ataque-defesa e transição defesa-ataque.É aqui que se devem descrever os comportamentos individuais e colectivos, aquando do ganho e da perda de bola e respectivos momentos de transição, nomeadamente: a definição da(s) linha(s) de pressão (decisiva para perceber, por exemplo, se se irá privilegiar o ataque apoiado e em segurança ou o ataque rápido/contra-ataque - uma linha de pressão alta com ganhos previsíveis no último terço do adversário não faculta espaço suficiente para se poder desenvolver contra-ataque; ao invés, uma linha de pressão mais “curta” impede “campo comprido” ao adversário, mas também à nossa equipa para desenvolver ataque organizado); o tipo de marcação ao adversário nas diferentes zonas do campo (em que zonas jogamos em marcação à zona, em resultado da inferioridade numérica – comum no primeiro terço do adversário que joga, normalmente, com 4 defesas contra os 3 avançados do “nosso” 1-4-3-3 - e em que zonas assumimos a marcação individual por nos encontrarmos em superioridade numérica em relação ao adversário – comum no nosso primeiro terço do campo pelo factor inverso do atrás expresso); a atitude mental dos atletas (rapidez na mudança de atitude defender/atacar e atacar/defender); o método de jogo ofensivo privilegiado (ataque apoiado e em segurança; ataque rápido/contra-ataque; futebol directo; …)
3) Características dos jogadores:Esta é uma das condições fundamentais para a definição do modelo de jogo e, dependendo do momento dessa definição, esta condição terá nuances diferenciadas.Assim, se a definição do modelo de jogo é elaborada antes da constituição do plantel, as características dos jogadores devem ser aquelas que melhor servem o modelo de jogo definido. Quando o modelo de jogo é elaborado depois do plantel estar concluído, é o modelo de jogo que terá de ser definido de acordo com as características dos atletas, tendo sempre presente que, no que ao ponto anterior diz respeito (princípios e sub-princípios de jogo), estes deverão estar sempre acima dos interesses/características individuais dos atletas, pois são a identidade do modelo de jogo que se elaborou com base nas características do clube e que deve ter sempre, e em qualquer circunstância, como uma das suas características principais e fundamentais a sobreposição do interesse colectivo face ao individual!
4) Organização estrutural:Aquilo que vulgarmente é, de forma incorrecta (como veremos a seguir), definido como sistema táctico, e que muitos entendem como o mais importante e até redutor quando definido enquanto modelo de jogo de clube, não deverá ser entendido dessa forma, na medida em que deverão ser definidas não só uma organização estrutural principal mas também uma outra alternativa, que, em alguns escalões, poderão ter a ordem invertida (e até mesmo ser adaptada) em função do ponto anterior - características dos jogadores. Assim, para além da definição da organização estrutural inicial e alternativa (os já referenciados sistemas tácticos que vão do tradicional 1-4-3-3 ao agora na moda 1-4-4-2 em losango, passando por outros que, ao serem definidos por alguns dos nossos comentadores, mais parecem números de telefone, como o 1-4-2-3-1), dever-se-ão definir: a forma como esses sistemas se adaptam aos vários sistemas tácticos que os adversários podem apresentar (jogando em 1-4-3-3, quem faz a marcação ao segundo ponta de lança adversário se a equipa opositora se apresentar em 1-4-4-2, por exemplo); as características individuais dos diferentes atletas por posição (por exemplo: que laterais pretendemos em função do nosso modelo de jogo - se são eles a fazer a marcação ao 2º ponta de lança deverão possuir como característica principal, a boa ocupação do corredor central e um bom sentido de marcação, mas se pretendemos que sejam eles a criar, ofensivamente, superioridade no seu corredor, já deverão possuir, como principal característica, um “bom pulmão” e elevada capacidade técnica, nomeadamente no gesto técnico cruzamento; no caso dos médios e no clássico 1-4-3-3, que triângulo vamos apresentar (1+2 ou 2+1); quem faz as compensações; quem executa, preferencialmente, os movimentos de ruptura; nos avançados, que movimentação preferencial se pede aos que actuam nos corredores; o ponta de lança deverá actuar de forma mais vertical, em apoios e sempre no enfiamento dos postes da baliza, ou deve procurar os corredores laterais, permitindo o aparecimentos dos outros dois avançados e/ou médio (s) ofensivo (s) no corredor central; …), linhas de passe (por atleta, em função do tipo de organização ofensiva definida - se queremos ataque apoiado em segurança, teremos de definir o passe curto como o mais adequado, exigindo, ainda assim, a obrigatoriedade, ou não, de mudança de zona e/ou corredor, mas se privilegiarmos o ataque directo teremos de definir linhas de passe mais longas e em ruptura) e movimentações colectivas preferenciais (por exemplo: mudanças de ritmos e de flanco, aquando do ganho da posse de bola, conseguindo com isso a criação de superioridade nos corredores ou o fecho de linhas de passe em largura e em profundidade, logo após a perda da posse de bola); jogadas estratégicas (da bola de saída aos vários livres – frontais, laterais, pontapés de canto – passando pelos lançamentos laterais);Resumindo: da mesma forma que jamais conseguiria escrever este texto, sem anteriormente ter definido os princípios a focar e a desenvolver, não consigo entender aqueles que conseguem treinar e jogar, sem primeiramente definirem, exporem e aplicarem um modelo de jogo, definindo, de seguida, um conjunto de exercícios que, indo ao encontro do modelo de jogo definido, o consubstanciem.
“Se queres fingir desordem para convencer os teus adversários e distrai-los, primeiro tens que organizar a tua ordem, porque só então podes criar um desordem artificial” – Suntzu “A arte da Guerra” – sec. IV a.c.

João Bento - treinador de Futebol (http://futebolviseu.blogspot.com/)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Crise de ... dirigentes desportivos


Numa época bastante difícil em termos económicos, a crise afecta de uma forma bastante séria os clubes desportivos, principalmente os mais pobres. No Futebol, por exemplo, há vários casos de instituições desportivas que acabaram por se extinguir. Algumas delas encerraram depois de terem atingindo resultados desportivos significativos, podemos dar como exemplo os casos do Cambres e do Castro Daire, no Futebol, ou mesmo os Unidos da Estação e os Unidos de Resende_97 que, depois de atingirem a 3ª divisão nacional, acabaram por desaparecer. Isto prova que o crescimento deve ser sustentado, gradual em termos de estrutura e organização. Por vezes é preferível adiar o êxito desportivo...
No contexto actual, o sucesso dos clubes passa pela planificação e operacionalização de ... projectos desportivos! Definição de objectivos e de formas de os atingir. Um exemplo de referência é o Viseu Futsal 2001 na modalidade de Futsal, um jovem clube que vem acumulando sucessos, fruto de um projecto desportivo bem definido. Parece-me que, tal como numa equipa técnica, uma estrutura directiva deve ter vários especialistas em determinadas áreas e um número de pessoas suficientes de forma a não sobrecarregar sempre os mesmos, o que mais tarde provoca saturação e o abandono por parte destas nobres pessoas que ainda mantêm vivos alguns clubes distritais. Nos pequenos clubes regionais é sempre possível desenvolver um bom trabalho. O êxito não tem de passar sempre pelas vitórias, pode também passar pelo número de praticantes que se possui, ou pelo número de escalões de formação que se tem em actividade, ou mesmo pela forma como determinado clube consegue mobilizar a população da sua área de acção. Só o DESPORTO é capaz disto e de muito mais...

Nota: ao referir o nome de alguns clubes não quero ferir susceptibilidades, mas sim dar a minha opinião

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Inter Futsal de Tarouca

Um novo clube de Futsal surgiu na cidade de Tarouca, estou a referir-me ao Inter Futsal Tarouca. O Lobo Ibérico faz parte da sua identidade, representa a união e a força de grupo. Certamente será mais uma equipa que ajudará no desenvolvimento da modalidade no distrito de Viseu. Entre outros aspectos, espera-se que traga qualidade desportiva e fair-play.
Pena os alegados desencontros de ideias, entre o Futebol e o Futsal, no Arguedeira União Desportiva. Por norma, nas instituições desportivas onde co-habitam as duas modalidades, o Futsal acaba por ser o "parente pobre". Há que realçar a coragem e o valor dos fundadores deste Inter. O DESPORTO, pelas potencialidades pedagógicas que possui, precisa de dirigentes como estes.
BOA SORTE...

sábado, 3 de maio de 2008

Análise Táctica (Freixieiro 5 - 2 Boavista)

Freixieiro: relativamente à organização ofensiva, a equipa de Matosinhos efectuou uma grande posse de bola, excelente circulação táctica, passagens por 3:1, por 2:2, futsal a 2 toques, inteligente e sem correrias desnecessárias...muita classe.
Defensivamente não houve, neste jogo, necessidade de grande empenho, mas foram notórias acções de acompanhamento e a apção por uma defesa alta.
Boavista: em ter ofensivos praticamente só usou as transições. Defensivamente optou por defender a partir do meio campo. O método defensivo utilizado foi a Defesa Mista (homem a homem com coberturas defensivas), mas o que se verificou foi muito mau para uma equipa de 1ª divisão, isto é: defensores a acompanhar virando as costas à bola e corredor central quase sempre com grandes aberturas...
Exige-se muito mais de um "Boavista" e de um treinador experiente como é Rui Pereira. Já não falo em zona pressionante, onde a referência deverá ser a bola, os colegas de equipa, o espaço, mas pelo menos numa defesa mista sem erros tão graves. O resultado acaba por ser muito bom para o Boavista.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Freixieiro x Boavista









O jogo do campeonato nacional da 1ª divisão de Futsal, Freixieiro x Boavista, será disputado, no dia 1 de Maio, no Pavilhão Municipal de Baião. Depois da equipa de Matosinhos ter realizado o seu estágio do período pré-competitivo no mesmo concelho, é mais uma oportunidade para as pessoas da região duriense assistirem a um espectáculo desportivo desta natureza.