Na próxima época que classificação conseguirá o FC Paços Gaiolo?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Futebol: Modelo de jogo (Carlos Carvalhal)


Modelo de jogo é um conceito muitas vezes utilizado no futebol! Mas será que a esmagadora maioria das pessoas que o utiliza sabe verdadeiramente do que está a falar?

Recordo uma frase de um treinador de uma equipa após uma derrota: “Temos que começar a jogar à Porto…” Os adeptos nunca lhe perdoaram esta expressão! Conclusão: em pouco tempo teve que sair do clube!



Como é que isto se relaciona com o Modelo de Jogo? Já vamos perceber!

O Modelo de Jogo não é conjuntural, é essencialmente estrutural! Um treinador ao ser contratado, está a transportar as suas ideias para uma estrutura existente (ela existe por muito fraca que seja)! Um imperativo nesta profissão, é ter a capacidade de analisar muito bem o contexto onde se vai inserir: clube, relações entre pessoas, adeptos, meio social, político, local, regional, nacional, os costumes, as crenças, a história do clube e as suas melhores épocas, o sistema predominante nos anos de sucesso, as últimas equipas e jogadores, os jogadores que têm ao dispor, os que pode contratar, entre outras… só depois poderá definir um Modelo de Jogo.

Estive muito recentemente num País Europeu onde assisti a dois jogos. A pressão exterior era enorme, os adeptos faziam realmente muito barulho, são extremamente emocionais. Em várias situações percebi claramente a intenção de um jogador querer lateralizar um passe, tendo sido incrível o condicionamento provocado pelos adeptos, quase que o “obrigando” a jogar na vertical!

Acham que ao perceber o envolvimento, o treinador não deverá ter estes aspectos em atenção?! Claro que sim! Procurar jogadores com forte personalidade, trabalhar a sua mente para terem a capacidade de se imunizar ao envolvimento.

Recordam-se da infeliz expressão de um colega meu sobre o jogar “à Porto”? Em muitos clubes não teria eco! Mas foi proferida num clube com adeptos com muita paixão, um clube com forte identidade e elevada exigência, sendo para estes incompreensível modificar a sua matriz.
Perceber a história do clube, a sua personalidade e sua força social é fulcral para ter êxito!

Outro exemplo, este vivenciado por mim! Da análise prévia que fiz ao contexto do Vitória de Setúbal e do Leixões, fez-me chegar a algumas conclusões importantes. Eis apenas algumas delas: Importante e significativa massa crítica por parte dos seus (apaixonados) adeptos, carregados de amor clubístico, com uma participação extremamente activa (para o melhor e pior), tanto nos jogos em casa como fora; percebi claramente quais as estruturas tácticas e dinâmicas utilizadas nas suas melhores épocas; nestes períodos ambos os clubes tinham nos seus planteis uma base importante e significativa de jogadores oriundos da sua formação; havia uma valorização de jogadores mais sobre o aspecto técnico do que outra capacidade; necessidade de escolher jogadores com forte personalidade (não é qualquer jogador que joga no Vitória ou no Leixões); ganhar não chegava, tinha que se jogar bem…

Concordam comigo quando refiro que todos estes aspectos são importantíssimos para definir um Modelo de Jogo? A escolha de jogadores dentro de um conjunto de características, devem por um lado ir ao encontro das ideias do treinador, e ao mesmo tempo perceber a filosofia, história e cultura do clube! Não só porque estão melhor preparados para o envolvimento, como podem ser veículos de transmissão para os outros jogadores. Em ambos os clubes procurámos jogadores da sua formação, e creio não estar enganado ao referir que no ano da subida de divisão do Vitória tínhamos 13 jogadores da formação, no Leixões 14.

Como escolher o sistema de jogo? Recordo o que aconteceu quando ainda jogava no Espinho, na 1ª divisão! Os melhores anos deste clube tinham sido orientados por Quinito, jogando preferencialmente em 1.4.3.3, com dois extremos bem “abertos” nas linhas laterais. Um treinador em determinada altura optou por jogar em 1.4.4.2! Pois bem, para além dos jogadores terem que se adaptar a esse novo sistema, o treinador teve ainda a dificuldade de ter que lidar com a pressão dos adeptos que diziam que faltava um jogador ali, e outro acolá! Conclusão: acabou por mudar rapidamente para o sistema mais tradicional no clube.

Adivinho o que estão a pensar! O treinador deveria ter personalidade e impor as suas ideias! Concordo em parte, mas erro maior é contrariar a história do clube… experimentem ir para o Atlético de Bilbau e proponham a contratação de um jogador que não seja da região Basca!

A cultura, os hábitos e costumes devem ser cuidadosamente analisados pelo treinador na definição de um Modelo de Jogo, e muitas vezes os pormenores podem fazer toda a diferença! Será que, por exemplo, no caso do Espinho, as dimensões do campo também possam estar relacionados com a definição do Modelo de Jogo? Campo mais pequeno, adversários mais fechados na zona central, logo a necessidade de ter “campo grande “ a atacar e de criar desequilíbrios pelos corredores, tornou-se cultural. A procura de jogadores com determinadas características para uma estrutura tornou-se um imperativo, desenvolveram-se relações colectivas e emocionais, criou-se um Modelo de Jogo.

Vamos então falar do Modelo de Jogo adoptado… como assim? Ouço e leio muitas vezes esta expressão! Isso não existe! O Modelo de jogo idealizado, parece-me a expressão mais adequada! Não existem dois Modelos de Jogo iguais, logo não acho correcto falar em adopção de um Modelo. Isto será o mesmo que dizer que só existe um futebol… existem muitos futebóis! O Real Madrid Joga igual ao Barcelona?! O Porto joga igual ao Benfica?!

Modelo de Jogo idealizado, porquê? Porque é aquilo a que aspiramos jogar, aspiramos porque nunca chegamos a atingir! O Modelo idealizado está permanentemente a ser construído e reconstruído. Definimos princípios e sub-princípios para cada momento de jogo! Quando pensamos que estão consolidados e estamos a melhorar outros, no jogo seguinte aqueles que momentaneamente “abandonamos” deixam de se manifestar com eficiência.

O jogo tem um fluxo contínuo! Quando falamos em princípios de Jogo, falamos da sua articulação, não só entre si como também na relação e articulação com os sub-princípios e concomitantemente a articulação entre estes. Nisto, o treinador deve revelar-se como um gestor do processo, na necessidade de hierarquizar os princípios e sub-princípios (e ainda os sub dos sub-princípios…), de modelar comportamentos através da inovação de exercícios, incutindo uma forte matriz emocional, sem nunca perder o sentido do Todo no “desmontar” desse mesmo Todo, de forma a reduzir sem empobrecer. Isto é, temos um problema para resolver na equipa, queremos treinar sobre um grande princípio e enfatizar as relações com os sub–princípios! Ao organizar a unidade de treino devemos ter cuidado de não perder o sentido do Todo, ao “fraccionar” o jogo para inovar determinado exercício.

A matriz emocional do treinador no processo transmite a sua singularidade. Ele é único, os clubes, as equipas, os jogadores são todos diferentes. Num processo que deve ser de ensino-aprendizagem emerge a figura do treinador, na gestão e modelação de comportamentos e emoções, direccionando-os intencionalmente para a sua Ideia de Jogo, que é única, logo singular.

Cumpre ao treinador gestor fazer evoluir a sua ideia, através da sua sensibilidade, para detectar onde o processo está a crescer ou a “mirrar”, que relação entre princípios e entre estes e os sub-princípios deve acentuar, num processo extremamente dinâmico. Assim o Modelo de Jogo cresce, configurando um Todo muito mais do que a soma das partes.

Podemos dizer que o Modelo de Jogo é algo utópico, podemos andar lá perto mas nunca se alcança! Está em permanente evolução e reconstrução, até porque o “descobrir” as capacidades e deficiências dos nossos próprios jogadores, leva a que muitas vezes se enriqueça ou empobreça o Modelo inicial que idealizamos.

Mourinho referiu no final do jogo com o Real Madrid que o Barcelona é um projecto acabado e que o Real Madrid está a dar os primeiros passos! Concordo e entendo esta expressão, apenas acrescento que sendo um projecto acabado, não quer dizer que não possa evoluir ou regredir. Acabado na completa interpretação dos princípios e sub-princípios de Jogo muito bem definidos - completamente de acordo! A manutenção e evolução dependem em primeira instância da qualidade do treino, depois dos jogos e as suas incidências!
Esta abordagem ao Barcelona x Real Madrid não foi inocente! Defrontaram-se claramente duas equipas com Filosofias de clube completamente diferentes, que como referimos anteriormente se manifestam no Modelo de Jogo.
De um lado o Barcelona, com um Modelo de Jogo de clube, contratando treinadores dentro desta ideia, que possam acrescentar algo à ideia original! Ideia e Modelo que vem da formação, que tem anos e que representa muito do que é a Catalunha, o seu fervor regional. Princípios e sub-princípios de Jogo bem definidos desde a base até aos seniores! A procura de jogadores de fino recorte técnico, que possam integrar uma Ideia estrutural.

Por outro lado, ainda um projecto de autor (como creio ter referido Valdano)! Com uma Filosofia claramente diferente, mais virada para o exterior e para a mediatização. Ideia que Mourinho (o autor) procura contrariar, criando uma estrutura desde a base até aos seniores, de forma a ter futuramente um projecto de clube, o ser Real Madrid desde a cantera… isto é um Modelo diferente e por ser diferente não se vai modificar na 2ª parte do jogo… vai demorar anos a implementar

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Futebol: Marco Duarte - estreia-se na baliza do Sporting de Lamego

Marco é um produto da formação do G.D.Resende. Iniciou a sua carreira nos infantis do clube azul e branco em 2000/2001 pela mão do mister Jorge Rabaça:

"...tinha intenção de jogar a lateral, mas no primeiro treino vi que só tínhamos 1 guarda-redes, então decidi ir para a baliza e nunca mais de lá saí..."

Marco percorreu todos os escalões de formação, teve ainda como treinadores, José Ferreira e José Rabaça. Todos estes treinadores atribuíram-lhe sempre a braçadeira de capitão, o que demonstra a sua personalidade e maturidade. Em 2006/2007 atingiu a idade de júnior, mas a sua excessiva qualidade na baliza, catapultou-o directamente para os seniores. Foram 3 épocas a alternar a baliza com colegas mais velhos e experientes, um feito muito bom para quem tinha ainda idade para estar nos juniores.

Na época passada, 2009/2010, passou de promessa a certeza e foi titularíssimo na baliza do G.D.Resende, sendo o 2º guarda-redes menos batido da prova. O excelente trabalho técnico que o treinador de guarda-redes Sandro Lage fez consigo, aliado à persistência, motivação, capacidade de superação e espírito de sacrifício, deste jovem guardião, promoveram uma grande evolução técnica e psicológica.

Esta época chegou ao Sporting de Lamego e tem lutado pelo seu espaço. Fez a sua estreia, para a taça de A.F.Viseu, frente ao Paivense no estádio dos Remédios. 

Vários têm sido os convites feitos, ao Marco, para sair e passar a jogar com regularidade. Mesmo sentindo-se tentado, em alguns deles, o seu objectivo em chegar à titularidade tem falado mais alto. Por sua vez o próprio Sporting de Lamego também não se tem mostrado muito disponível para abrir mão de um guarda-redes tão jovem e com tanta competência.


Não só como ex-treinador, mas também como amigo e resendense, desejo ao Marco sorte, porque trabalhar sei que ele o faz como ninguém, independentemente se está a jogar, se está no banco ou na bancada...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Futebol: Criatividade (1): Reflexão sobre uma palestra de Sir Ken Robinson (blog Carlos Carvalhal)

Estamos a aplicar mal os nossos talentos, muitas pessoas passam uma vida sem descobrir o talento que têm dentro de si.

Sir Ken Robinson:

Esta semana o imortal Maradona fez 50 anos! Tive o grato prazer de viver num período que me permitiu deliciar com o seu génio, a sua arte , a sua criatividade…

Maradona, como Pelé, Eusébio, Ronaldo, Cristiano Ronaldo, Zidane, Ronaldinho Gaucho, Messi, etc, cresceu num bairro humilde! A bola era o seu brinquedo e o contexto era de auto-aprendizagem. Foi a jogar na rua descalço, em pisos de terra batida muito maus, com buracos e ramos de árvores que vivenciou e se descobriu na arte de jogar futebol.

Este contexto de grande dificuldade de execução e ao mesmo tempo extremamente divertido foi muito importante para a criação do seu ADN futebolístico, arte em movimento que espalharam pelos melhores palcos do mundo.

Em terrenos baldios, sem treinadores ou árbitros (com regras estipuladas pelos meninos), com número de jogadores definido pela quantidade existente ou pelo equilíbrio ao fazer as equipas que eles próprios buscam para que exista competição (jogando assim 1x1, 2x2,4x3, 6x4). Jogava-se e joga-se um futebol livre, de constante ensaio/erro e de prática ininterrupta. Errar é permitido e encarado como uma oportunidade para o que vem a seguir: ”na próxima vou conseguir!”. O contexto permite repetir o erro até conseguir o seu objectivo. A aprendizagem é realizada num contexto muito particular e específico.

O ter e poder driblar, ter a capacidade de conduzir, passar e fintar de forma a que, para além de driblar os adversários, tivessem que fazer o mesmo às pedras e aos buracos, evitando a todo custo cair… é que cair num piso destes deixa marcas no corpo. Tudo isto permite adquirir uma destreza impar, de reforço de todos os sentidos: sensorial, motor, auditivo, entre outros.

Pelo facto de jogarem descalços e/ou também nestes terrenos acidentados permite que a sensibilidade do pé seja exponenciada, sendo a motricidade fina destes jogadores desenvolvida de uma forma muito natural. Daí termos visto e vermos estes jogadores com uma habilidade impressionante, fazendo com que a bola pareça um extensão do seu corpo, ela é parte integrante do corpo em movimento.

Sei o que estão a pensar: Um génio não se faz, nasce! Estou de acordo em parte com esta ideia! O génio tem uma predisposição genética, mas chegará para atingir o alto nível se não for de outra forma estimulado? Não precisará de um contexto ideal para evoluir? Será que num clube com treinadores, regras rígidas e num contexto formal eles se desenvolvem da mesma forma?

Já alguma vez sentiram a sensação de ouvir ou ler alguma coisa e dizer, “é mesmo isto que penso e sinto, mas não sabia como o expressar…” Foi isso que senti ao ver uma palestra de Sir Ken Robinson sobre criatividade! Fiquei tão fascinado que resolvi tentar fazer uma analogia com o futebol…

A palestra alerta-nos para a necessidade de um novo Paradigma educacional, centrado no descobrir e desenvolver as competências individuais de cada ser humano, criticando o paradigma vigente relativamente à educação e à forma como “produzimos” cada vez mais Tecnocratas.

Ken Robinson define Criatividade como o processo de gerar ideias originais e com valor que surge normalmente pela interacção de diferentes formas de ver as coisas.

Por aqui podemos aferir a importância de desenvolver os sentidos e de experimentar as sensações em contacto com o meio (perspectiva ecológica) de forma a testarmos todas as nossas capacidades fazendo do ensaio/erro uma auto-descoberta.

A individualidade é assim um conceito obrigatoriamente agregada à noção de criatividade: o que vivencio enquanto jogador potencia as minhas qualidades, exponenciando-as; faz com que codifique de determinada forma o significado do que vivi, determinando também a conexão que farei com episódios semelhantes no futuro.

Em suma, a auto-descoberta é resultado de UM percurso singular, percurso esse que poderá exponenciar as minhas CAPACIDADES (únicas), através da minha INTELIGÊNCIA. Só esse processo bem singular e CONSCIENTE de auto-descoberta me tornará um criativo ÚNICO E NÃO REPRODUTÍVEL.

Por isso, Sir Ken Robinson referiu que “As comunidades humanas dependem de uma diversidade de talentos e não de uma ideia singular de capacidade. O mais importante dos nossos desafios é restabelecer a nossa noção de capacidade e inteligência”. A noção de capacidade e inteligência de cada um!

As características inerentes à inteligência referidas por este autor, reforçam o que escrevemos anteriormente. Considerando-a:

1º Diversa, uma vez que cada indivíduo pensa o mundo de todas as formas em que o experimenta: visualmente, com som, cinestesicamente, em abstracto, em movimento;

2º Dinâmica – a inteligência é maravilhosamente interactiva; não sendo o cérebro um órgão compartimentado, estabelece inúmeras e constantes interacções.

3º Distinta – reforça a ideia de individualidade antes exposta. Existem pessoas que precisam de se mover para pensar.

“O futuro é imprevisível… todos nós sabemos que as crianças têm extraordinárias capacidades, capacidades para a inovação. Temos crianças que são fantásticas, para mim encontraram o seu talento. Todos os miúdos têm talentos fantásticos e nós estragamo-los impiedosamente.”

Esta expressão de Sir Ken Robinson é fantástica e transporta-nos para o centro da questão! Será que é assim tão importante que crianças de 6, 8, 10 anos joguem assim tão bem colectivamente? Jogar “obrigatoriamente” a 1 ou 2 toques? Será que nestes escalões as equipas não tem treinador a “mais”? Não deverá ser também o presente imprevisível para esses jogadores e sobretudo para os seus adversários?

Sabemos que a realidade (tirando África, e alguns países da América do Sul), não permite já que a criança teste todas as suas capacidades de uma forma livre, que façam a sua auto-descoberta! Os meninos não têm espaço para jogar na rua, e quando este existe há o problema da insegurança! O espaço de desenvolvimento e afirmação passou para a escola (quando existe este espaço de recreio), bem como para as Academias de jogadores, de uma forma organizada e formal. Esta não é uma critica á nossa formação, mas acho que é merecedora de um imperativo de reflexão deixada ao leitor!

Quem sabe de crianças, reconhece que elas nos surpreendem diariamente! A sua evolução é fantástica, por vezes vejo autênticos talentos e ponho-me a imaginar como se desenvolverão estes meninos nos próximos 5 anos… já fiz esta experiência mais do que uma vez! Fiquei desiludido! Podem-se levantar inúmeras questões à volta deste tema e todas são aceitáveis de certeza… mas conhecem com certeza muitos casos em que os filhos tiram um curso só para agradar aos pais?! Vale a pena fazer a analogia com a prática de futebol e reflectir sobre isso!

Cristiano Ronaldo, Messi, Hulk e Di Maria são olhados como jogadores criativos, mas também como indivíduos únicos! As suas capacidades inatas, bem como as interacções e significações vividas em cada tentativa/erro ou tentativa/sucesso por eles vivenciadas, tornaram-nos singulares como os conhecemos. Tiveram a inteligência e a felicidade de poder DESCOBRIR e DESENVOLVER AS SUAS COMPETÊNCIAS INDIVIDUAIS.

Puderam certamente ERRAR, ao longo do seu processo informal (na rua) e formal (nos clubes, em equipa), mas atribuíram com toda a certeza significado aos erros! Todos os miúdos arriscam, se não sabem tentam…não receiam estar errados! Ken Robinson consolida esta ideia ao referir que “Estar errado não é ser criativo, mas se não estiverem preparados para errar nunca conseguiremos nada de original”. A maior parte das crianças por isso, quando chegam a adultos perdem essa capacidade (intrínseca) porque tem medo de errar. Estamos a educar pessoas sem a sua capacidade criativa.

Picasso disse uma vez que todas as crianças nascem artistas o problema é mantê-las artistas enquanto crescemos. Não crescemos para a criatividade, afastamo-nos dela! Ou antes, somos educados para a perder! Essa é uma das grandes funções do treinador: decompor a palavra CRIATIVIDADE, permitir ao jogador “criar” sempre em “actividade”, mantendo-o “artista” até atingir o top, até ser jogador de Alto Rendimento!


Futebol: G.D.Cárquere com blog

A minha fotografia
O Grupo Desportivo de Cárquere tem agora um blog onde o podemos acompanhar. Esta colectividade participa há vários anos no campeonato INATEL da A.F.Viseu. Para uma visita clicar em http://carquerenovasconquistas.blogspot.com/ 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Futsal – divisão de honra da A.F.Viseu

São Martinho de Mouros empata (2-2) em casa com CB Moimenta da Beira, num jogo electrizante

A primeira referência vai para a enorme moldura humana que quase encheu as bancadas do Pavilhão Municipal de São Martinho de Mouros (espectadores da equipa da casa mas também outros, vindos de Moimenta). O número de adeptos quer do clube, quer da própria modalidade cresce a olhos vistos. Certamente que os inúmeros que assistiram ao jogo, saíram satisfeitos com a qualidade do mesmo...

Durante a 1ª parte o SMM – São Martinho de Mouros fez provavelmente a melhor exibição da época: muita posse de bola, muita circulação táctica e jogo entre linhas, oportunidades e 2 excelentes golos. A CB Moimenta da Beira limitou-se a defender.

Na 2ª metade da partida tudo se alterou, pois nos primeiros minutos de jogo os visitantes chegaram à igualdade e conseguiram claramente equilibrar o jogo, criando também outras oportunidades para fazer o 3º golo. O SMM acusou o empate e, apesar de continuar a tentar vencer, nunca mais encontrou o discernimento necessário para o conseguir, precipitando-se nos remates de muito longe em vez de continuar a circular a bola (tinha sido esta a estratégia da 1ª parte). Como no Futsal tudo é possível, Eddy a 5 segundos do fim, isola-se mas o guarda-redes do Moimenta da Beira, com todo o mérito, consegue impedi-lo.

Nota muito positiva para a 1ª parte do SMM, para a forma organizada e concentrada como o Moimenta defendeu e para os 2 guarda-redes.

C.D.R.C. São Martinho de Mouros