Entrevista a Rui Rebelo
Sim. Deixei o Futebol, enquanto treinador, em Fevereiro de 2010, quando eu e o meu colaborador Sandro Lage apresentámos a nossa demissão ao presidente do G.D.Resende. Os resultados desportivos estavam a ser muito positivos, mas o clube tratava o grupo de trabalho com bastante falta de respeito e de dignidade, no sentido em que não nos proporcionavam as mínimas condições de trabalho.
O que te dá mais gozo, treinar equipas de futebol de onze, ou futsal?
O que me dá mais prazer é vencer desportivamente, seja no Futsal ou no Futebol. Tudo depende do contexto em que estou inserido, mas, enquanto treinador, o que gosto é de ganhar, aliás a principal motivação de um treinador são as vitórias.
O porquê de este ano não treinares nenhuma equipa?
Essa decisão, de não treinar nenhum clube, foi tomada logo em Fevereiro, quando saí do Resende. Depois do que passámos e aguentámos, nessa época, fiquei completamente saturado… de treinar.
Houve convites?
Tive dois convites formais durante o Verão: 1 para o Futebol e outro para o Futsal. Por uma questão de respeito não vou mencionar os clubes em causa. Recentemente, em Novembro, surgiu outro convite também para o Futsal, mas a minha resposta foi sempre negativa e justificada com a saturação e falta de motivação.
Porque voltaste ao S. Martinho de Mouros?
Quando, em Novembro de 2008, saí para o Resende, estava a jogar no SMM depois de, anos antes, ter sido treinador principal. Voltei na procura do prazer e satisfação que o Desporto a este nível me proporciona. Faço parte da direcção e quando estiver totalmente recuperado de uma intervenção cirúrgica que fui submetido, irei também jogar. O SMM tem um projecto desportivo singular no Concelho de Resende e deveria ser mais apoiado. O SMM está uns anos à frente comparativamente à forma como se tem gerido os clubes em Resende.
Ainda acreditas no futebol em Resende?
Acredito sempre. Os clubes têm de acompanhar o desenvolvimento e a evolução das sociedades e isso não tem acontecido com o Futebol, no nosso concelho. Não tem havido sensibilidade para a percepção correcta da complexidade do fenómeno Futebol. Ao nível da gestão de clube, da definição de objectivos/planificação…estamos décadas atrasados em relação a alguns concelhos similares ao nosso. A principal razão é a falta de conhecimentos técnicos e específicos nesta área de grande complexidade. A responsabilidade não é só de quem tem gerido os clubes da modalidade, mas sim de todos nós que directa ou indirectamente temos, também, responsabilidades. No entanto, estamos num país onde todos acham que sabem imenso de Desporto, principalmente de Futebol! Vem aí um estádio novo e penso que o clube deve crescer de forma a estar ao nível do seu estádio. Há em Resende muita gente competente para fazer crescer o GDR. Quando digo isto não me refiro apenas àqueles que têm formação académica, mas também a outros que são pessoas do Futebol.
Na tua opinião o que se está a passar este ano com o GDR?
Sinceramente acho que os péssimos resultados desportivos não espelham o trabalho e o esforço da direcção. Começaram muito bem: a abertura da sede foi, na minha opinião, do melhor que aconteceu ao clube nos últimos anos. Depois, ao contrário do que se previa, conseguiram renovar com quase toda a equipa da época anterior, ao mesmo tempo contrataram 1 treinador certificado e com provas dadas no vizinho Zezerense (Sta. Marinha do Zêzere) que trouxe consigo alguns reforços. Esta conjuntura apontava para a realização de 1 campeonato na luta pelo 1º lugar, tendo em conta os resultados positivos do ano anterior. No entanto, as primeiras derrotas deitaram tudo a perder e as coisas complicaram-se.
Sentes saudades de treinar o GDR?
De estar a desempenhar as funções de treinador, não sinto quaisquer saudades, muito pelo contrário. O que sinto é alguma nostalgia de liderar um grupo de grandes homens, resendenses, que contra todas as expectativas conseguiram formar uma grande equipa de Futebol, sinto saudades do nosso espírito de balneário e da forma como juntos lutámos arduamente para conseguir os nossos objectivos, sinto saudades da forma diferente como sentíamos as vitórias, principalmente naquela fase de início da 2º volta em que estávamos apenas a 1 ponto do 1º lugar, chegámos a sonhar como é óbvio. É importante relembrar que no período pré-competitivo (pré-época) alguns adeptos “velhos do Restelo” agoiravam que nós, com uma equipa de juniores e com outros atletas que estavam a jogar federados pela 1ª vez, iríamos bater o recorde mais negativo da história do G.D.Resende…num ano em que o clube conquistou apenas 6 pontos. Foi uma época que será inesquecível para todos os que pertenceram aquele grupo. Foi um trabalho que me deu imensa satisfação fazer: a construção de uma equipa de Futebol, mas principalmente de um grupo muito coeso dentro e fora do campo.

É justo referir que não o conseguiria sem a ajuda do meu grande adjunto Sandro Lage e mais tarde, embora noutras funções, do Ismael. Mas o maior mérito vai claramente para os grandes “guerreiros” que eram os nossos jogadores. A maioria deles está esta época no Resende e são alvo de muitas críticas, o que mais uma vez demonstra que as pessoas são injustas e que no Futebol a memória é muito curta. Fico triste com algumas coisas que vou ouvindo...sobre jogadores que tanto deram e lutaram pelo clube.

É justo referir que não o conseguiria sem a ajuda do meu grande adjunto Sandro Lage e mais tarde, embora noutras funções, do Ismael. Mas o maior mérito vai claramente para os grandes “guerreiros” que eram os nossos jogadores. A maioria deles está esta época no Resende e são alvo de muitas críticas, o que mais uma vez demonstra que as pessoas são injustas e que no Futebol a memória é muito curta. Fico triste com algumas coisas que vou ouvindo...sobre jogadores que tanto deram e lutaram pelo clube.
Academia de Futsal: Resende merece esta aposta?
Claro. É a aposta num “produto” que não existe, nestes moldes, no concelho. Basicamente é olhar o Futsal como um processo de ensino/aprendizagem, e ao mesmo tempo utilizar o Desporto para a formação global das crianças e jovens. Embora nem sempre reconhecido, o Desporto pedagogicamente orientado tem imensas potencialidades educativas.
O que te levou a trabalhar neste projecto?
É uma ideia minha e do meu amigo Zé Fernando, (treinador de Futsal do SMM) que já tem uns 4 ou 5 anos. Recentemente foi impulsionada por outro amigo comum aos dois que tem um filho de 4 anos.
Porque não trabalhas num pavilhão municipal com academia?
Quisemos que esta iniciativa não estivesse, para já, associada a nenhum clube ou associação. Se assim fosse as taxas de pavilhão municipal eram exequíveis. No entanto, sendo um projecto particular o preço de cada hora de pavilhão é muito caro, o que tornaria inviável o projecto se optássemos por uma instalação desportiva municipal.
Achas que as pessoas de Resende estão viradas para a vertente futsal?
O Futsal é a modalidade que mais cresceu nos últimos anos. É também a segunda mais praticada no nosso país, logo a seguir ao Desporto Rei – Futebol. Há muitas razões para este crescimento em tão pouco tempo. O facto de ser praticada sem chuva e vento é um factor que tem contribuído muito para que crianças e jovens a queiram praticar; outro aspecto importante é a cumplicidade existente entre o fair-play e o Futsal; a meu ver o mais importante é o elevado número de vezes que a criança tem contacto com a bola em relação a um jogo de Futebol de 11 ou mesmo de 7. Uma criança de 9 anos durante uma partida de Futebol 11, quantas vezes toca na bola? Certamente que poucas comparativamente ao Futsal, que acaba por ser uma espécie de jogo reduzido onde o praticante está sempre em acção. Estas e outras razões têm contribuído para que também os Encarregados de Educação vejam com bons olhos esta prática desportiva.
Tem havido muitos contactos da parte dos pais a perguntar como vai funcionar?
Várias pessoas nos têm abordado e manifestado a intenção de participação dos seus filhos.
Pediste apoio à autarquia?
Não pedimos apoio. Falámos sobre a possibilidade da utilização do pavilhão municipal. Verificámos que o preço era muito elevado para uma iniciativa particular. Fomos bem recebidos e percebemos que há que respeitar o regulamento da instalação desportiva em causa.
A academia vai funcionar num pavilhão que não é público?
Sim, vai funcionar no Pavilhão Desportivo do Externato D. Afonso Henriques, cá em Resende. Apresentámos o projecto ao Sr. Padre José Augusto e tivemos a possibilidade de usar o Pavilhão do Externato, o que muito nos agradou. É assim o nosso único apoio.
Como vai funcionar?
Para já através de aulas/treinos que funcionarão nas manhãs de Sábado, com início a 8 de Janeiro às 10.30h. A população alvo, são as crianças e jovens entre os 4 e 14 anos e em função do número de alunos interessados, efectuaremos a divisão dos escalões etários, o que pode originar aulas/treinos em horas diferentes, mas sempre ao Sábado de manhã. Se o projecto crescer, como estamos a pensar, poderemos, mais tarde, entrar em competição de forma a aumentar, ainda mais, a motivação dos praticantes.
Como podem os pais contactar academia?
Pessoalmente comigo ou com o Zé Fernando ou através dos seguintes contactos:
Blog: http://www.academia-futsal-resende.blogspot.com
E-mail: academia.futsal.resende@hotmail.com
Telemóvel: 91 325 61 91
Resta-me agradecer a oportunidade de divulgação da Academia Futsal Resende e pedir desculpa por ter demorado tantos dias e devolver o e-mail com as perguntas da entrevista. Já agora também queria dar os parabéns pelo blog Microfonenet.
original em: http://microfonenet.blogs.sapo.pt/32059.html